RELIGIOSIDADE
- Fabio Lucas da Cruz
- 8 de dez. de 2025
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Djanira da Motta era devota do catolicismo, mas isto não a impedia de reconhecer a importância das religiões afro-brasileiras. A pintura mostra um momento de devoção com a presença de orixás: Oxalufan e Yemanjá nos extremos e Omulu, Oxóssi e Xangô no centro. O uso de cores vibrantes remete à simbologia dos orixás.

Três Orixás, Djanira, 1966.
O quadro apresenta três orixás em destaque, sendo Oiá de vestes vermelhas, representando a personificação da força feminina, Oxalá ao centro com vestes femininas brancas, considerado “Pai de todos os orixás” e Oxum de vestes amarelas, conhecida como senhora do ouro, da beleza, da fertilidade e das águas doces.

A obra retrata um testemunho visual da fé da cultura afro-brasileira, mostrando um momento íntimo e religioso na comunidade, onde as fronteiras entre o Catolicismo e a espiritualidade cristã coexistem em harmonia. No altar há a figura de São Sebastião, ou Oxóssi, o caçador, senhor das matas e dos caboclos; ao lado dele, um Preto-Velho, o sábio espírito dos velhos africanos escravizados; e, a seu lado, São Lázaro, o Obaluaê, orixá da cura e da saúde. No piso, aparece o Caboclo, que representa a entidade espiritual dos indígenas. Ao centro, vemos uma ialorixá, ou mãe de santo, vestida de branco e fumando um charuto, acompanhada de dois homens e uma criança, enquanto ao fundo dois outros tocam atabaques. No chão, o ponto riscado em forma de estrela é um pentagrama, que reúne os cinco elementos (fogo, água, ar, terra e espírito) e simboliza harmonia, equilíbrio e proteção.

Maria Auxiliadora era praticante de Candomblé e expressava seu cotidiano em suas obras, por isso a forte presença da religião em suas obras. Nesta arte é possível observar a fé da artista, mostrando um ritual religioso feito em comunidade de devoção. Os orixás Xangô, Oxum e Iemanjá estão presentes em meio às pessoas, ialorixás podem ser identificados pelas vestes características.





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